Há alguns dias estava eu em um lugar que há um considerável tempo não estivera. A minha cabeça falava muita coisa e as pessoas a minha volta muito mais, aquela falação começou a me deixar meio irrequieta. Resolvi abandonar aquelas vozes que eu podia abandonar e dar ouvidos, pelo menos por alguns minutos, àquela voz que há tanto me pedira atenção. Então caminhei por uns dois minutos no máximo, o que foi suficiente para que eu me sentisse mais afastada de todas as outras pessoas e só ouvisse aquela voz.
Eu e aquela voz conversamos tanto, ela me mostrou tanta coisa, lembrou-me de tantas outras, inclusive de quem eu era e quem eu gostaria de ser. Me mostrou que por alguns dias eu tinha me desviado desse propósito de ser uma pessoa que eu goste, de ser mais minha. E sabe o que mais ela me contou? Que além de eu estar sendo aquela que eu não gostava, estava também colocando a culpa disso nos outros. A voz me mostrou que eu estava tão pequena quanto um dia eu fora, que toda aquela análise interior que eu havia feito há alguns meses, de nada me servira porque a criança fraca que ainda vive dentro de mim tinha ganhado força para aparecer, justo naqueles dias. Dias que eu tinha para mostrar que toda aquela teoria funcionava, e realmente funciona, mas não na eu daqueles dias.
Eu me vira cercada por árvores que me impediam a visão daquele céu, que para o que estava previsto para aquele dia, estava tão claro. Eu sabia que aquele cenário era como eu me enxergara por dentro, alguém que se encanta pelo céu dos conhecimentos que lhes são tão limitados por uma ignorância, quanto a visão daqueles horizontes eram limitados por aquele mato. Eu lembrei do meu objetivo. Foi aí que a voz me contou que para eu ver cada vez melhor aqueles céus, eu não precisava cortar árvores, como se de nada elas fossem me servir. A voz me contou que para eu ver o céu num horizonte mais amplo eu teria que subir mais alto, teria que me sobrepor a muitos dos meus limites e manter o foco neste objetivo.
A voz não me contou, mas de alguma forma ela me fez ver que embora eu esteja longe de ser alguém que se chame de inteligente, eu tenho aquele pré-requisito básico: FORÇA DE VONTADE com as coisas que eu assumo responsabilidade de fazer e fazer bem feito. Afinal tudo que eu tenho de verdade, que posso chamar de meu, tem um pouquinho de mim, carrega nele uma pequena lembrança do que eu fiz para conquistá-lo.
Aí a voz me disse: Então Franciele, já vai começar a chorar, quer voltar ao ponto zero? Então abra um sorriso, faça com que ele seja sincero, não abra mão dele, e se for pra chorar que chore de tanto sorrir. Seja mais tua, afinal já te mostrei como tu não é dependente de ninguém, pelo menos não da forma como tu um dia pensou ser. A vida é muito curta para ser paralisada por falta de algo que não seja oxigênio e/ou água. Não cobre atenção, pois se ela lhe for dada por cobrança nunca será sua por completo, não de boa vontade. Então conte até dez e saia do stand by.
Foi isso que a voz me contou naquele dia, e é por isso que eu não paro de sorrir tão cedo. Obrigada voz. Obrigada eu.
Desculpe os erros ortográficos/gramaticais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário